Grupo Arte, Crítica e Experiência Estética | Ciclo temático "Leituras críticas sobre a experiência da cidade" - Sessão II
Alexandra Fortes, "Problemas da vida moderna: uma leitura d’'A metrópole e a vida mental' de Georg Simmel"
Gianfranco Ferraro, "Uma filosofia do espaço: Henry Lefebvre e o direito à cidade"
23 Novembro 2017 | 15h00-18h00 | Sala 0.07 – Edifício I&D – FCSH
Resumos:
- A. Fortes: N’ “A Metrópole e a vida mental”, Simmel caracteriza a forma de vida da metrópole; o conflito entre as forças individuais e as forças externas; a tentativa de proteger e afirmar aspectos particulares face à uniformização quantitativa e à indiferença, face à atitude que o grande número de estímulos da vida urbana faz despertar naqueles que habitam a grande cidade, “menos sensível e mais distante das profundidades da personalidade.” Perante “os problemas mais profundos da vida moderna”, contudo, Simmel conclui que é nossa tarefa compreender: o espaço amplo da metrópole é, afinal, espaço de integração de expressões internas e externas ao indivíduo, que aí convivem com igual legitimidade.
Espera-se que a leitura que propomos possa contribuir para essa tarefa.
- G. Ferraro: A vida de Henry Lefebvre (1901-1991) coincide com a duração do “breve século”. E efectivamente muitos dos eventos políticos e das correntes filosóficas do século XX encontraram neste filósofo francês, intérprete de Nietzsche e Marx, um leitor atento: filósofo revolucionário, amigo dos surrealistas, aluno e depois adversário de Althusser, interlocutor dos situacionistas de Debord, Lefebvre foge aparentemente a todos os 'especialismos'. Porém, é a partir da interpretação do papel que a filosofia pode jogar como prática crítica relativamente ao poder, que Lefebvre desenvolve uma “filosofia do espaço”: uma prática de pensamento que, para poder desenvolver-se, tem de se colocar no espaço físico dos seus actores e de o transformar. A filosofia pode, pois, deste modo, tornar-se numa prática que, ao lado da ciência do urbanismo, liga novamente a cidade a quem nela vive. Neste sentido o “direito à cidade”, noção agora em uso nos discursos governamentais, constitui para Lefebvre uma noção crítica, utópica, irremediavelmente ligada a uma prática de redescoberta conflitual do espaço urbano.
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